......Projetos
em Andamento
1. Programa de Fortalecimento Territorial
.......Justificativa
da Proposição
O IMAD, dentro de convenio celebrado com o Ministério de Desenvolvimento
Agrário-MDA, e a Secretaria de Desenvolvimento Terrritorial-SDT, tem
assessorado a estruturação o fortalecimento da Comissão
de Implantação de Ações Territoriais-CIAT do Território
da Grande Dourados, enquanto instância representativa do território,
envolvendo 11 municipios da região.
Diante da adoção da abordagem territorial com
o objetivo de organizar as demandas por políticas públicas,
torna-se imprescindível o envolvimento dos diversos atores
sociais e instâncias públicas no processo de empoderamento
destas representatividades para a proposição e
gestão do processo que venha garantir o desenvolvimento
sustentável do Território em todos seus aspectos.
A abordagem territorial, que pauta o Território como
importante espaço do poder, sugere que sejam debatidas
as propostas de ações e investimentos que resultem
num processo acelerado de desenvolvimento, permitindo uma transformação
desses atores sociais em demandadores de políticas públicas,
ao invés de simples usuários destas, que, conforme
nos mostra a realidade, não permitiu a emancipação
dessas áreas no sentido de promover seu desenvolvimento.
Dessa forma, a proposta visa contribuir
para a afirmação
das dinâmicas desencadeadoras do processo de desenvolvimento, à medida
que avança nas ações de sensibilização,
capacitação e mobilização dos atores
locais para pensar e agir sobre o Território, de forma
ampla e dinâmica, bem como na estruturação
e fortalecimento da Comissão de Implantação
de Ações Territoriais-CIAT, enquanto instância
representativa do território e comprometida com o processo
de gestão social do desenvolvimento territorial.
Para tanto, o IMAD tem desenvolvido as
três seguintes
atividades, cujos objetivos estão abaixo resumidos:
1.1 – Estruturação CIAT
Objetivo:
Promover no Território da Grande Dourados, Mato Grosso
do Sul, processos de mobilização para gestão
participativa do processo de desenvolvimento sustentável
e apoiar o funcionamento do núcleo executivo da instância
territorial. Programa apoiado pela Secretaria de Desenvolvimento
Territorial - SDT, órgão do Ministério do
Desenvolvimento Agrário – MDA
1.2 – Programa de Intercâmbios
Objetivo:
Promover a troca de experiências entre agricultores familiares
visando a profissionalização de suas atividades
e de suas organizações; profissionalizar e qualificar
os representantes dos agricultores familiares em suas câmaras
de representações (CMDRs, CIAT, organizações
etc) e dispor de um levantamento detalhado da situação
dos agricultores familiares do território.
1.3 - Diagnóstico Ambiental
Objetivo:
O Diagnóstico Ambiental será desenvolvido a partir
de informações sistematizadas em nível municipal,
vindo a ser compilado o Diagnóstico geral para o Território
da Grande Dourados. Deverá conter: aspectos Geoambientais,
como clima, solos, vegetação, recursos hídricos,
recursos minerais, e passivos ambientais. O diagnóstico
deverá conter orientações especificas sobre
as medidas corretivas e uma estratégia de ação
para as mesmas.
2. Apoio ao Desenvolvimento das Comunidades Indígenas
Justificativa da Proposição
A proposta de Programa aqui formulada é o resultado da
consolidação de relações estabelecidas
entre representantes da FUNAI e antropólogos com ampla
experiência de campo e de atuação junto às
populações guarani em Mato Grosso do Sul (Kaiowa
e Ñandéva). A inserção profissional
desses antropólogos na Universidade Estadual de Mato Grosso
do Sul (UEMS) permitiu o estabelecimento de contatos e de relações
com conceituado ecólogo do Instituto de Meio Ambiente
e Desenvolvimento-IMAD-, que vem desenvolvendo pesquisas na região,
pesquisas estas com o intuito de estabelecer planos de intervenção
para a recuperação das características ecológicas
originais, vista a degradação que atualmente apresenta
o Cone Sul do estado – região onde vivem os Guarani – após
os intensos desmatamentos efetuados nos últimos 30 anos
para o desenvolvimento de atividades agro-pecuárias extensivas.
O interesse pelos Guarani do MS demonstrado
pela atual administração
da FUNAI possibilitou uma aproximação com os antropólogos
signatários deste Programa, que resultou em discussões
e posterior elaboração de uma planificação
para realização de levantamento estrutural com
o propósito de atuar e refletir sistematicamente sobre
o problema fundiário que afeta essa população
indígena, visando identificar e demarcar suas áreas
de ocupação tradicional.
Cientes, porém, que demarcar terras não é suficiente
para saldar a enorme dívida histórica que o Estado
brasileiro tem para com esses índios, a FUNAI, declarando
que para esta administração os Guarani são
prioridade, pretende tratar o assunto em sua globalidade, isto é,
fomentando atividades de gestão das terras legalizadas
(ou em fase de legalização), de modo a permitir
a melhoria das condições de vida dos indígenas,
através da reconstrução de parâmetros
mínimos para o desenvolvimento das atividades produtivas
primárias (agricultura) e aquelas complementares (criação
de animais de corte, caça, pesca, coleta e, eventualmente,
comercialização de produtos).
Tendo em vista a degradação ambiental da maioria
das terras Kaiowa e Ñandeva recuperadas nas últimas
duas décadas, fomentar atividades nesses lugares significa,
basicamente, proceder a corrigir os desequilíbrios ecossistêmicos
produzidos nos últimos tempos na região – resultados
de um modelo de desenvolvimento predatório, caracterizado
pela tipologia do Agronegócio - tarefa a que se pretende
o Programa aqui proposto, que para tanto selecionou, a título
experimental, cinco áreas-pilotos.
Levando-se em conta estas considerações introdutórias,
o Programa que aqui se propõe representa um feliz ponto
de convergência entre as atuais políticas de instituições
governamentais como a FUNAI, com os resultados das pesquisas
e atividades práticas desenvolvidas entre os Guarani nos últimos
30 anos, o que permite capitalizar conhecimentos apropriados
a fim de evitar a repetição de erros que têm
caracterizado as intervenções indigenistas até o
presente momento. Há que se salientar também, o
fato de que a procura de novos critérios de atuação
nas áreas indígenas e reservas tem facilitado o
diálogo inter-institucional entre a FUNAI e o Ministério
Público Federal. O MPF, com quem o Programa foi discutido
pontualmente, o avaliza integralmente, auspiciando sua pronta
efetivação, além de propor uma intervenção
junto aos produtores rurais no sentido de atuar sobre aspectos
ecológicos no entorno das áreas-pilotos, orientando-se
pelas diretrizes aqui planificadas.
2.1 – Levantamento das Famílias Extensas nas Áreas
Indígenas do Município de Dourados
Objetivo:
Proceder o levantamento sócio-político-econômico
e territorial das Terras Indígenas Dourados (constituída
pelas aldeias Bororó e Jaguapirú) e Panambizinho,
e dos acampamentos Passo Piraju e Pakurity, todos localizados
no município de Dourados/MS, explicitando as formas
de sociabilidade e organização social indígenas
(constituição familiar, relações
comunitárias, grupos de cooperação, migrações,
dentre outros fatores sócio-político-econômico
e territoriais).
2.2 – Cadastramento das Famílias Nucleares das Áreas
Indígenas do Município de Dourados
Objetivo:
Cadastrar as famílias indígenas nucleares residentes
nas Terras Indígenas Dourados (constituída pelas
aldeias Bororó e Jaguapirú) e Panambizinho, e dos
acampamentos Passo Piraju e Pakurity, todos no município
de Dourados/MS, de modo a garantir que o acesso destas comunidades
ao Cadastro Único e ao Programa Bolsa Família do
Ministério de Desenvolvimento Social e Combate à Fome
se dê de forma respeitosa e diferenciada.
2.3 – Projetos da Carteira Indígena
2.3.1 - Quintais Agro-florestais
Objetivo:
O projeto tem como finalidade implantar “Quintais Agroflorestais”,
para melhorar a dieta, com complementação de vitaminas
e proteínas de frutas comestíveis, aumentar a capacidade
de produção de implementos funcionais, ornamentais
e/ou ritualísticos (feitos de sementes, cipós,
frutos e outras fibras vegetais), melhorar as condições
de solo e microclima local e retenção de água
ao redor das nascentes e cursos d´água próximos às
residências existentes.
2.3.2 - Qualificação em
Trabalhos Manuais e Artesanato
Objetivo:
Capacitar mulheres indígenas, que se encontram em situação
de miséria, escolhidas pelos agentes de saúde de
cada micro região, com filhos desnutridos, que não
possuem família extensa próxima e nem terra para
produzir alimentos ou outra forma de sustento, na produção
de trabalhos manuais típicos dos não índios
e artesanato indígena baseado nos saberes tradicionais
de sua comunidade e técnicas de aperfeiçoamento
dos mesmos através da contratação de profissionais
qualificados aumentando assim a possibilidade de comercialização
dos produtos.
2.3.3 - Qualificação em Trabalhos Manuais em Material
Reciclável e Artesanato
Objetivo:
Capacitar mulheres indígenas, que se encontram em situação
de miséria, escolhidas pelos agentes de saúde de
cada micro região, com filhos desnutridos, que não
possuem família extensa próxima e nem terra para
produzir alimentos ou outra forma de sustento, na produção
de trabalhos manuais típicos dos não índios
e artesanato indígena baseados nos saberes tradicionais
de sua comunidade e técnicas de aperfeiçoamento
dos mesmos através da contratação de profissionais
qualificados aumentando assim a possibilidade de comercialização
dos produtos.
3. Projetos sendo Configurados
0.0
1.0 - Teia Agroecológica:
Objetivos Gerais:
• Exercitar a perspectiva agroecológica nas atividades
de pesquisa, ensino, e assistência técnica voltados
ao desenho e implementação de modelos de desenvolvimento
integrado.
•
Estabelecer em Dourados, integrando esforços inter-institucionais
na região, um Centro de Referência em Agroecologia,
inserido numa rede nacional e internacional, para viabilizar
ações de pesquisa, ensino e assistência técnica
baseadas na Agroecologia e implementar condições
favoráveis ao desenho e implantação de políticas,
programas, planos, projetos e modelos de Desenvolvimento Sustentável.
2.0 - Corredores de Biodiversidade
Objetivos Gerais:
Estabelecimento de uma Rede de Corredores
de Biodiversidade (REDCOR-CS), através da restituição dos
aspectos estruturais e funcionais dos ecossistemas remanescentes
nas nascentes das Microbacias dos rios Dourado, Amambaí,
Iguatemi – na Bacia do Rio Paraná – e Apa,
na Bacia do Rio Paraguai.
Específicos:
•
Restabelecimento de cobertura florestal para conservação
dos recursos naturais e apoio aos sistemas de produção
existentes.
•
Implementação de unidades de produção
de mudas de espécies arbóreas nativas no município
de Antonio João, Ponta Porã, Sanga Puitã,
Aral Moreira, Coronel Sapucaia, Amambaí, Tacuru, Paranhos,
Sete Quedas, Iguatemi, Japorã, Mundo Novo.
•
Fomento à pesquisa em tecnologia de sementes e mudas de
essências nativas
•
Desenvolvimento de Sistema de Monitoramento e Controle via SIG
(Sistema de Informação Geográfica) implantado
nos municípios de Antonio João, Ponta Porã,
Amambai, Mundo Novo.
•
Apoio às Áreas Indígenas Kaiowa-Ñandéva.
•
Fomento municipal na constituição de RPPNs (Reservas
Particulares do Patrimônio Natural), como pedras fundamentais
na construção de um Macro Corredor Ecológico
ao longo das nascentes da Serra de Maracaju, desde Antonio João,
até Mundo Novo.
3.0 - Parque Nacional da Serra de Maracajú
Um parque nacional é um centro de irradiação
de educação para a conservação. Numa
região pesadamente impactada pela agricultura industrializada
e pela pecuária sem escrúpulos - explorando demasiadamente
e sem critérios os recursos naturais, retirando preciosas
matas ciliares, assoreando rios e jogando o gado diretamente
em cima dos mananciais hídricos para assedentação – a
reeducação ambiental é de vital importância
e deve iniciar por exemplos práticos, projetos demonstrativos
e vitrines vivas daquilo que pode ser feito.
Além desta função educacional, o Parque
Nacional da Serra de Maracaju - proposta aceita pela plenária,
na Câmara Municipal de Dourados, durante o II Seminário “Águas
e Matas Dourados: cultivando água boa para uma Dourados
sustentável” – vem a representar o rincão
norte de um macro corredor de biodiversidade, que vai unir as
matas ciliares e as nascentes dos sistemas hídricos superficiais
das bacias do Paraguai e do Paraná, no Cone Sul do Estado
de Mato Grosso do Sul, usando a posição privilegiada
da Serra de Maracaju, que corre numa direção norte-sul,
aos maciços florestais de grande biodiversidade, ainda
existentes em regiões fronteiriças do vizinho Paraguai.
Em muitos casos estas nascentes distam pouco mais de 1 a 2 quilometros
de uma bacia para outra, exigindo relativamente poucos recursos
para a implantação de corredores ecológicos
que as interliguem.
A proposta para a criação deste parque nacional,
previsto para preservar uma área de cerca de 50.000ha,
está sendo discutida em varias instancias e com diversas
instituições, necessitando apoio da sociedade organizada
por representar um marco importante na melhoria das condições
climáticas e da consciência ambiental e prática
que demonstram quanto a produção agropecuária
esteja intimamente relacionada com a conservação
dos recursos naturais.
–
3.0 Estabelecimento de RPPN
O Decreto nº 1.922, assinado no Dia do Meio Ambiente pelo
presidente Fernando Henrique Cardoso, dispõe sobre o reconhecimento
das Reservas Particulares do Patrimônio Natural – RPPN, áreas
de domínio privado a ser especialmente protegida, por
iniciativa de seu proprietário, mediante reconhecimento
do Poder Público, por ser considerada de relevante importância
pela sua biodiversidade, ou pelo seu aspecto paisagístico,
ou ainda por suas características ambientais que justifiquem
ações de recuperação.
As RPPN são pedras fundamentais no estabelecimento de
Corredores de Biodiversidade, ajudando praticamente na sua composição
e funcionamento ecológico. O IMAD esta engajado na promoção
destas áreas e procura meios de facilitar sua implantação
pelos proprietários de áreas rurais com remanescentes
florestais.
4.0 Programa Kaiowá-Nãndeva
Pensamento abrangente, início modesto, ações
rápidas
A melhoria da qualidade de vida em áreas indígenas,
além da necessidade de aumentos territoriais ajustados
ao seu modo de vida e sistemas de produção, passa
pela diversificação das atividades econômicas,
principalmente de subsistência, com algumas possibilidades
de uma abertura comercial, que dependem principalmente da condição,
disponibilidade e bom gerenciamento dos recursos naturais, como água,
solo, florestas e matas e animais nativos.
Porém, a descaracterização ecológica
do Cone Sul do estado de Mato Grosso do Sul, com a destruição
das florestas e o conseqüente assoreamento dos cursos fluviais,
prejudicou demasiadamente a população nativa, deixando
com esta uma contundente dívida moral que precisa ser
sanada o quanto antes, com uma visão macro territorial
de longo prazo.
Para dar vida e este processo, o Programa pretende desenvolver
projetos pilotos, envolvendo ações participativas
de intervenção, em cinco Áreas Indígenas
(AI) Guarani, no Estado do Mato Grosso do Sul, avaliando, com
os índios, o estado de degradação dos seus
recursos naturais, elaborando planos de recuperação
das funções ecológicas dos seus ecossistemas
e de manejo participativo. As áreas são:
1) Pirakua (2384ha, Município de
Bela Vista);
2) Jatayvary (160ha, Município de Ponta Porã);
3) Guasuty (930ha, Município de Aral Moreira);
4) Jaguapire (2349ha, Município de Tacuru);
5) Panambizinho (1240 ha, Município de Dourados)
Planejado territorialmente com base no
conceito de micro-bacias hidrográficas, vale dizer que isto representará esforço
substancial junto aos proprietários dos espaços
limítrofes às AIs, para controle de qualidade de água
e de processos erosivos, mediante a re-população
de espécies vegetais nas matas ciliares e matas de galeria.
As áreas alvo a serem trabalhadas serão definidas
juntamente aos grupos familiares indígenas.
Uma importante componente do trabalho é a perspectiva
macro-territorial, que contempla a formação de
um sistema de Corredores Ecológicos que venha a compor
ambientalmente com as Áreas Indígenas da região
entre os rios Apa e Brilhante ao Norte, e a margem esquerda do
Rio Iguatemi ao Sul do Estado do Mato Grosso do Sul.
Objetivos específicos
A partir do objetivo geral exposto, o
Programa pretende atingir os seguintes objetivos específicos:
1) Melhorar as condições agronômicas das áreas
trabalhadas, favorecendo e aumentando a produção
agrícola das famílias extensas guarani.
2) Conseqüentemente, elevar a qualidade de vida dos integrantes
das unidades domésticas, beneficiando-as também
com matérias-primas, vitaminas e proteínas animais
procedentes tanto da implementação da criação
de animais de corte quanto de um maior êxito nas atividades
venatórias e de pesca, devidas à progressiva recuperação
ambiental. Pretende-se com isto combater a desnutrição,
especialmente infantil , devida em muitos casos a uma dieta desequilibrada
e pobre, como efeito de uma mudança dietética e
uma inevitável dependência dos índios de
uma periódica distribuição de cestas básicas.
A falta de condições apropriadas para o plantio,
vista a dramática situação em que se encontram
as áreas indígenas, leva muitas famílias
a esgotar rapidamente as reservas de tubérculos (mandioca
e batata doce), grãos (amendoim e feijões), hortaliças
(abóbora), cereais (milho) e frutas (abacaxi, mamão,
banana, melancia, etc.), assim como alimentos de origem animal
e derivados, limitando o consumo diário a um simples prato
de arroz e/ou macarrão. O restabelecimento dos ciclos
agroflorestais e a potencialização da criação
de animais de corte permitirá não só um
aumento da produção, mas também uma diversificação
dos alimentos, o que poderá re-equilibrar a dieta cotidiana
dos índios.
Favorecer a divulgação das experiências dos
projetos pilotos implementados pelo Programa no interior de cada
tekoha guasu onde se encontre cada uma das áreas indígenas
trabalhadas . Isto será possível em decorrência
das redes de parentesco que perpassam esses espaços territoriais
e que permitem às famílias extensas incorporar
nos circuitos de cooperação técnico-econômica
dos grupos domésticos abordados, parentes residentes foras
das referidas áreas. Neste modo, as atividades introduzidas
pelo Programa pretendem produzir efeitos em escala territorial
ampla, propiciando debates entre os índios a nível
inter-comunitário sobre a natureza dos trabalhos que são
implementados, solicitando-se avaliações e sugestões
de encaminhamentos futuros.
HISTÓRICO
Entre 2004 e 2005 o IMAD tem:
- Estabelecido Convênios com o Ministério do Desenvolvimento
Agrário –MDA- para Articulação Territorial;
- Estabelecido Convênios com o Ministério do Meio
Ambiente, via projetos da Carteira Indígena
- Realizado o “I Seminário Águas e Matas
Dourados”
- Realizado o “II Seminário Águas e Matas
Dourados”
- Participado na Comissão da Bacia Hidrográfica
do rio Dourados;
- Empossado como Membro do Conselho Municipal de Meio Ambiente
do Município de Dourados-MS;
...... A reserva
de Dourados, onde nos últimos anos – e não
nos últimos meses, como noticia a imprensa – tem
havido vários casos de morte de crianças por
desnutrição, conta hoje com quase 11.000 índios
em uma superfície de 3540 ha. A densidade populacional é elevadíssima,
com um índice de crescimento demográfico superior
aos 400 indivíduos por ano. Em decorrência de
uma estrutura de poder instaurada na década de 70 por
uma minoria de descendentes de Terena, a maior parte das terras
no interior da reserva está hoje sob o controle direto
de uma elite de índios que, através de arrendamentos
e sub-arrendamentos introduziram a cultura da soja. Isto levou à desestruturação
das atividades agrícolas tradicionais dos Guarani em
muitas das famílias aí localizadas, produzindo
um estado de miséria. A proposta de programa aqui apresentado
pretende justamente, através de uma presença
capilar na região em pauta, favorecer a circulação
de idéias e experiências que contrastem com essa
lógica modernista que tem trazido muita desventura para
os Guarani.
As experiências geradas na A.I. Pirakua poderão ser socializadas
pelas famílias de Ñande Ru Marangatu e Kokue’i, situadas
no mesmo tekoha guasu da bacia do Rio Apa, no lado brasileiro, e pelas de Pysyry,
no Paraguai (ver mais adiante a fig. 2). O mesmo pode ser dito com respeito às
famílias de Panambizinho, que mantêm relações com
outras residentes na reserva de Dourados, Panambi e Sucuriy, na bacia do Rio
Brilhante-Ivinheima. Jatayvary, por sua vez, tem famílias relacionadas
com parentes residentes nas reservas de Dourados e Caarapo, procedentes do tekoha
guasu de Lima Campo – entre o Rio Dourados e seus afluentes da margem direita,
ribeirão Douradilho e Rio São João –, onde está localizada
a referida área indígena. Guasuty mantém relações
com a reserva de Takuapiry e Limão Verde, no interior de um tekoha guasu
situado entre as cabeceiras dos Rios Amambai e Iguatemi. Finalmente, as famílias
de Jaguapire relacionam-se com aquelas residentes na reserva de Sassoro, no interior
do tekoha guasu situado entre os Rios Mbarakay e Ypytã, na parte esquerda
da bacia do Rio Iguatemi.
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